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Sesau alerta para a importância da prevenção contra hepatites virais

FACHADA SESAU | Foto: Ascom/Sesau
FACHADA SESAU | Foto: Ascom/Sesau
Zukka Brasil | RR
Escrito por Zukka Brasil | RR

Saúde/RR – Com todos os olhares voltados para a pandemia do Coronavírus (COVID-19), o Julho Amarelo chega para alertar a população sobre uma realidade preocupante em relação às hepatites virais: os dados mostram que de janeiro a maio de 2020, a CMECM (Clínica Médica Especializada Coronel Mota) prestou 513 atendimentos, entre primeiras consultas e retorno de pacientes que haviam abandonado o tratamento. No mesmo período, em 2019, a unidade realizou 408 atendimentos para a doença.

Segundo a CMECM, o aumento de 25,7% é resultado da preocupação da população em relação as complicações que a COVID-19 pode trazer para organismos já fragilizados pelas hepatites, o que fez aumentar a procura pelo atendimento na unidade no início deste ano.

Diante desse cenário, o Governo de Roraima, por meio da Sesau (Secretaria de Saúde), tem reforçando o trabalho de luta e prevenção contra a doença, que pode levar ao câncer de fígado e até à morte. Segundo a gerente do Núcleo de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais, Sumaia Dias, entre as medidas adotadas estão o reforço na distribuição de preservativos, imunização e monitoramento dos casos pelo NC DST/AIDS/HV, para garantir o diagnóstico precoce.

“As ações no Núcleo estão voltadas para a vigilância, prevenção e o controle da doença. O Estado é responsável pela distribuição de testes para as hepatites B e C em todos os municípios, pela entrega de insumos de prevenção, como preservativos e também pela distribuição da vacina, bem como todo o tratamento para a doença, na unidade de referência, que é a CMECM. Além disso, é realizado o monitoramento semanal de casos nos municípios, por meio de ligações e videoconferências entre o Núcleo e as gestões das unidades”, explicou a gerente.

O médico infectologista Luis Enrique Bermejo Galan, que atua na CMECM, explica que as hepatites virais (B e C) são transmitidas por meio do contato com o sangue contaminado, seja pelo compartilhamento de materiais de uso pessoal ou por relações sexuais desprotegidas.

“As hepatites virais podem ser transmitidas através da relação sexual sem proteção e pelo contato com sangue contaminado ao compartilhar agulhas. Além disso, exigir o material descartável ou esterilizado quando for à manicure é fundamental e não compartilhar lâminas de barbear ou agulhas e usar proteção na relação sexual são medidas que devem ser adotadas para evitar a infecção. Vale ressaltar que as hepatites B e C podem ser oligossintomáticas e assintomáticas e, com o tempo, podem evoluir para uma cirrose ou câncer de fígado”, explicou o infectologista.

De acordo com o médico, existe tratamento para as hepatites virais. Ele explica que a vacina para a hepatite B pode ser encontrada nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e que a hepatite C, que não possui vacina, requer um acompanhamento especializado.

“Para a hepatite B existe uma vacina eficaz em até 95% dos casos, que pode ser encontrada nas UBSs. Já para a hepatite C, não existe uma vacina. Por isso, é importante que todos, principalmente as pessoas maiores de 45 anos, procurem as UBSs para a realização do teste rápido. A partir do diagnóstico, o paciente será encaminhado para a unidade de referência, onde receberá o tratamento adequado”, complementou.