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Coronavírus é pauta de urgência em Comitê da Saúde no Amazonas

Coronavírus
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Zukka Brasil
Escrito por Zukka Brasil

O Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios, com ênfase no Novo Coronavírus (2019-nCoV), realizou a primeira reunião nesta quinta-feira (30/01).

Na pauta, estiveram as atualizações sobre o novo vírus e as outras Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) e o alinhamento das autoridades em relação às medidas de prevenção e controle que estão sendo adotadas no Estado, conforme orientação do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Brasil segue com nove casos suspeitos sendo investigados, conforme o último Boletim do MS.

Nessa quinta-feira, a OMS declarou o Novo Coronavírus como emergência internacional em saúde.

No Amazonas, não há notificação de casos suspeitos de Coronavírus, mas o secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, informou que a rede assistencial está organizada para atender possíveis ocorrências.

“O nosso objetivo é fazer a execução de medidas preventivas e, sobretudo, de buscas ativas no controle das epidemias por síndromes gripais. Nesse sentido, fizemos a primeira reunião, alinhamos e determinamos fluxos no nosso atendimento de modo que todo o sistema de saúde do Amazonas está preparado para fazer a assistência de pacientes que apresentarem sintomas”, disse.

O secretário municipal de Saúde de Manaus, Marcelo Magaldi, destacou a integração entre os órgãos para minimizar os impactos, caso o vírus chegue à população da cidade.

“Aqui, em Manaus, nós estamos procurando tomar todas as providências no sentido de minimizar os impactos, caso esse vírus chegue, e também minimizar os impactos em relação a outros vírus que causam a Síndrome Respiratória Grave. É importante dizer que não é um vírus tão agressivo, mas ele se espalha rápido”.

A diretora da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto, destacou a importância do controle em locais de trânsito de pessoas, principalmente nos aeroportos internacionais Eduardo Gomes e em Letícia, na fronteira com Tabatinga, diante de casos suspeitos no Peru e Colômbia. Segundo ela, já estão sendo feitas tratativas com as autoridades de vigilância e aeroportuárias desses países. No caso do Peru, a preocupação é com a movimentação pelos portos nas cidades de fronteira.

Na manhã dessa quinta-feira, Rosemary Costa Pinto e uma equipe da FVS-AM estiveram no Aeroporto Eduardo Gomes para alinhamento de protocolos com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e empresas aéreas para identificação e condução de pacientes com suspeita do vírus.

A unidade de referência para onde serão encaminhados os casos é o Hospital da Zona Norte Delphina Aziz. O Hospital também será referência para pacientes que forem atendidos nas unidades da rede de saúde e apresentarem algum sintoma. As transferências serão feitas via central de regulação do Sistema de Transferência e Emergências Reguladas, que interliga os hospitais.

O diretor técnico da FVS-AM, Cristiano Fernandes, disse que uma equipe está sendo preparada para ir a Tabatinga. A equipe será composta por profissionais da vigilância epidemiológica e do Laboratório Central (Lacen), que vão reunir com o Laboratório de Fronteira, além de um médico epidemiologista da Fundação de Medina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), para capacitar os profissionais de saúde.

“Considerando que os aeroportos, principalmente os internacionais, servem de entrada para passageiros em trânsito oriundos de países asiáticos, principalmente a China, temos que ter uma atenção maior para com esses locais”, disse Cristiano. Ele disse que os protocolos em aeroportos e portos já são definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“São áreas estratégicas, a gente sempre fica alerta para a questão da vulnerabilidade dessas áreas e de possibilidade de trânsito de pessoas. Temos uma resolução sanitária relacionada às praticas voltadas às áreas de fronteiras, de portos e aeroportos e rodovias, com trânsito de grande fluxo de pessoas. A partir dessas áreas de maior risco, adotamos diferentes protocolos, lembrando que são protocolos definidos pelo Ministério da Saúde e OMS. A Anvisa faz a definição de protocolos para essas áreas”.

Boletim de SRAG – A FVS divulgou nesta quinta-feira (30/01) a quarta edição do Boletim Epidemiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado do Amazonas, que corresponde à análise de notificações de novembro de 2019 até o dia 30 de janeiro de 2020.

Segundo o boletim, foram notificados até o momento 129 casos de SRAG; destes, foram identificados 13 Influenza B, 11 casos provocados por Adenovírus, quatro para Vírus Sincicial Respiratório (VSR), dois para Metapneumovírus e um para Parainfluenza 1.

A FVS informa que, no total, foram registrados a partir de novembro 18 óbitos por SRAG, sendo sete confirmados por vírus respiratórios e 11 por outras síndromes respiratórias. Dos sete óbitos, todos são residentes de Manaus, sendo três casos por Influenza B, dois por Adenovírus, um por Metapeneumovírus, e um por Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Ainda em relação aos óbitos, 71% dos casos apresentaram pelo menos um fator de risco agravamento, com 42% respectivamente em pacientes idosos, cardiovasculares ou com diabetes, 28% pneumopatas e 14% em crianças de 1 a 4 anos.

Prevenção – O diretor-presidente da FMT-HVD, médico infectologista Marcus Guerra, reforça as medidas de prevenção e controle, como a lavagem frequente das mãos com água e sabão, o uso de álcool gel a 70%, evitar contato com pessoas gripadas e lugares aglomerados, etiqueta da tosse (evitando-se tossir diretamente nas mãos, e sim na curva interna do braço), uso de lenços descartáveis, uso de máscaras, repouso adequado, boa hidratação, alimentação equilibrada, entre outras.

Formação do comitê – Instituído pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e a FVS, por determinação do governador Wilson Lima, o Comitê Estadual conta ainda com representantes da FMT-HVD, Secretaria Municipal de Manaus (Semsa-Manaus), Anvisa, Superintendência Regional do Ministério da Saúde, Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, SAMU e HPS Delphina Aziz.